Redução de custo da operação de transporte de bauxita

Redução de custo da operação de transporte de bauxita

Escrito em 17/05/2020


João Eleutério, gerente de área de operação de mina; Marcus Salgado, gerente de departamento de operação de mina; Igor Ribeiro, engenheiro de infraestrutura e operações florestais; Takehiro Moraes, engenheiro de operação de mina; Marcos Gonçalves, engenheiro de controle de operação de mina; Odair José, instrutor de equipamentos de mineração; José Augusto, instrutor de equipamentos de mineração; Roney Farias, engenheiro de manutenção; Eder Guimarães, gerente de manutenção; e Artur Ferreira, supervisor de manutenção de caminhões – todos da Mineração Rio do Norte (MRN) – apresentam o trabalho “Redução do custo da operação de transporte de bauxita nas minas da MRN – alternativa de implementação do caminhão semirreboque”.

Atualmente a MRN opera com caminhões rodoviários rígidos com capacidade de carga de 40 t. As operações de minas no Pará, são realizadas nos platôs de Bela Cruz, Aramã e Monte Branco, com distância média de transporte de 12,7 Km, 17,8 Km e 5,2 Km, respectivamente.

As operações da MRN são divididas em duas fases. A fase atual é chamada de zona leste que compreende as operações das minas atuais, Monte Branco, Bela Cruz, Aramã, e também Cipó e Teófilo. Após esse ciclo da zona leste, as operações passarão para a zona oeste que compreende as demais minas da área a ser explorada.

As operações de transporte de minério serão um grande desafio, pois os britadores não serão realocados conforme os avanços de mina, serão mantidos na mina Aviso e Monte Branco. O minério extraído de todas as minas deverá ser transportado de caminhão até os pontos de britagens.

Com isso, o desafio ao longo dos anos será enorme, devido à distância de transporte crescente, impactando fortemente no custo unitário da mina.

A consequência desse aumento de distância de transporte é o aumento da necessidade de aquisição e operação de caminhões.

Alternativas

Para minimizar o impacto de aumento da aquisição de caminhões e custos operacional, a MRN estudou algumas alternativas, tais como: uso de correias transportadoras, melhoria no processo atual e mudança do processo atual de transporte de minério.

Para o uso de correia, essa alternativa foi descartada devido trazer pay back mais longo, algo que não é estrategicamente atraente para a MRN.

A melhoria no processo é uma boa alternativa, porém com redução tímida dos números. Já a mudança do processo atual se mostrou a melhor alternativa, pois poderá trazer ganhos significativos com redução de custos.

Para isso a MRN testou um conjunto de bi-trem e o caminhão semirreboque. O conjunto de bi-trem, não surtiu o resultado esperado, restando a alternativa do semirreboque. O caminhão semirreboque possui capacidade de transporte de 70 t.

Durante o intervalo de análise de dados foi feita análise de produtividade e custo do caminhão semirreboque comparado com a frota atual da MRN.

Foi feita a análise estatísticas dos dados e aplicado o teste para avaliar se as produtividades dos equipamentos são estatisticamente diferentes. Os resultados mostram que os equipamentos possuem produtividades estatisticamente diferentes, logo não podem ser considerados com igualdade.

Ao avaliar os dados de produtividade, foi utilizado a modelagem matemática para construir a curva de produtividade e analisar o comportamento dos dois equipamentos. As análises operacionais mostraram que o semirreboque se apresenta com uma boa performance. Mas será que ele é economicamente viável? Para responder essa pergunta foi feito uma análise de viabilidade econômica desse caminhão comparando com o Heavy Tipper (40 t), da Scania, que já era usado na mina.

A análise consiste em levantar os custos operacionais e de aquisição dos equipamentos, suas produções e aplicar as taxas financeiras ao longo do tempo. Esse levantamento de custos é conhecido como TCO (Total Cost Ownership) ou LCC (Life Cicle Cost) e o comparativo entre os dois equipamentos é identificado como trade off. Feito o levantamento dos dados, chegou-se a que o semirreboque é o equipamento mais vantajoso, quando comparado com o atual caminhão da MRN.

A partir dos resultados mostrados, esse projeto resultou na economia de R$ 1,9 milhões em CapEx e redução do OpEx em R$ 2,4 milhões já aplicados no orçamento de 2020.

O projeto possui ganhos potenciais futuros de R$ 27 milhões em CapEx de novos caminhões e R$ 78 milhões no Opex até 2025 e R$ 306 milhões em VPL (valor presente líquido) no cenário de operação de novas minas.

A quantidade de caminhões foi reduzida em 30%, ou seja, a MRN necessitará em média de menos 44 caminhões.

Além do benefício financeiro da redução da quantidade de caminhões, há a redução de exposição do risco da operação.

Com base nos dados analisados, é visto que o caminhão semirreboque é uma alternativa de transporte de bauxita, pois apresenta melhor produtividade e melhor custo de operação quando comparado com a frota atual.