Gestão de riscos relacionados à ergonomia na troca de matriz do separador magnético na planta de tratamento de minério de ferro

Gestão de riscos relacionados à ergonomia na troca de matriz do separador magnético na planta de tratamento de minério de ferro

Escrito em 27/04/2020


O estudo tem como finalidade analisar o risco ergonômico da matriz do separador magnético no setor da ITM - Produção, com peso de 50 kg, na Ferro+ Mineração, do grupo J. Mendes, através da análise ergonômica do trabalho (AET), identificando as condições laborais.

Para que fosse possível a AET, foram utilizados registros fotográficos, vídeos e entrevistas, abordando aspectos sobre o levantamento, transporte e manuseio da matriz, assim como a observação da postura dos funcionários durante a execução da atividade.

Constatou-se que o elevado índice de absenteísmo na atividade está relacionado ao controle rígido de produtividade, excesso de levantamento e transporte manual de pesos e movimentos repetitivos de flexão do tronco. A partir dos resultados evidenciados na AET, foi possível propor medidas preventivas e alterações pertinentes no ambiente laboral.

A Ferro+ Mineração se encontra em atividade desde 2007, estando localizada nos municípios mineiros de Congonhas e Ouro Preto, no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, com foco na extração, beneficiamento e comercialização de minério de ferro.

O capital humano se apresenta como parte essencial da estratégia do grupo J. Mendes, que acredita que o conjunto formado por capacidade, conhecimento, competência e personalidade favorece a realização de todo e qualquer trabalho.

Método

A Análise Ergonômica do Trabalho - AET é um modelo metodológico que possibilita compreender e correlacionar os determinantes das situações de trabalho com as suas consequências para os trabalhadores e o sistema como um todo, baseada em uma pesquisa exploratória, com método de abordagem qualitativa e quantitativa.

No estudo de caso, foi analisado o processo produtivo sob o foco da ergonomia. Com isso, foi realizada uma análise preliminar das causas de afastamento, bem como a identificação das tarefas. Deste modo, a análise ergonômica do trabalho foi estruturada em três grupos: análise da demanda, análise da tarefa e análise da atividade.

Na análise da demanda, definiu-se o problema a ser estudado. Nesta fase, os dados da situação de trabalho foram levantados através de entrevistas exploratórias não estruturadas com os trabalhadores, que realizam o levantamento e transporte manual da matriz com peso de 50kg.

 A análise da tarefa consiste no estudo das condições de trabalho da empresa. Nesta fase, a partir das hipóteses previamente estabelecidas pela análise da demanda, definiu-se a situação de trabalho a ser estudada, isto é, delimitou-se o sistema homem-tarefa a ser abordado através da observação da situação real de trabalho, obtida por filmagens, fotografias e avaliação quantitativa das medições ambientais de iluminação, temperatura, ruído e poeira, com o auxílio de instrumentos de medição, como: decibelímetro, termômetro de globo digital (IBUTG), luxímetro e dosímetro. Para compreender a atividade de trabalho sob a ótica ergonômica, utilizou-se das observações abertas e entrevistas não estruturadas.

Analisou-se a atividade desenvolvida pelos trabalhadores, face às condições e aos meios que são colocados à disposição, bem como foram avaliados os comportamentos de trabalho: posturas, ações, gestos, comunicações, direção do olhar, movimentos, verbalizações, resoluções de problemas e modos operativos.

Nesta pesquisa, também se utilizou o diagrama de causa e efeito, também conhecido por espinha de peixe ou Ishikawa, sendo utilizado para facilitar a visualização entre os fatores que causam o problema e o seu efeito. Elaborado a partir das entrevistas na pesquisa de campo, permite que sejam colocadas, através de grupos, as possíveis causas dos desvios.

Após as avaliações quantitativas e qualitativas, entrevistas e avaliação ergonômica, ficou definido a necessidade de implementar um dispositivo mecânico para auxiliar o homem na realização da tarefa em questão realizada manualmente.

1° Etapa de Implantação – Reunião com todos os envolvidos para realização de brainstorming com a finalidade de entender dos executantes a sua real necessidade, e melhor confecção de um dispositivo que reduziria os riscos de acidentes e ergonômicos sem impacto e ou atraso operacional ao executar a tarefa.

2° Etapa de Implantação – Repassado ao setor de engenharia um desenho base do carrinho mecânico para a realização dos cálculos e materiais necessários para confecção.

3° Etapa de Implantação –Compra do material conforme estipulado pela engenharia e contratação de mão de obra terceirizada para confecção do dispositivo de engenharia.

4° Etapa de Implantação – Confecção do carrinho mecânico.

5° Etapa de Implantação – Aquisição de eletroímãs para manuseio da matriz.

6° Etapa de Implantação – Teste com o primeiro carrinho instalado e avaliação dos resultados obtidos.

7° Etapa de Implantação – Treinamento dos funcionários quanto na utilização do carrinho mecânico para substituição de matriz.

8° Etapa de Implantação - Disponibilização do carrinho mecânico para utilização durante as atividades de manutenções na substituição de matriz em separadores magnéticos.

Realizado avaliação após a implantação e utilização do carrinho mecânico, chegou-se a redução significativa da exposição dos trabalhadores aos riscos.

Entre os resultados alcançados, redução na exposição ergonômica no manuseio e transporte, redução do peso transportado por funcionário de 50kg para 25kg da matriz do separador magnético no setor da ITM - Produção, eliminação do risco de quedas de materiais e ou prensamentos de membros superiores e inferiores, e ganho operacional reduzindo o tempo de manutenção de 16hh para 13h.

Daniel Ferreira Soares, técnico de segurança no trabalho; Eli Carlos Miranda da Costa, supervisor de manutenção industrial; Erik Rimenes Celestino, gerente de segurança e saúde ocupacional; e Giovanny Laporte de Oliveira, médico do trabalho – todos da Ferro+ Mineração, do Grupo J. Mendes – são autores deste trabalho